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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Militares são presos suspeitos de participar de chacina em Aparecida (GO)

Local onde aconteceu a chacina no ano passado


Adriana Marinelli

Goiânia -
Foram apresentados, na tarde desta quarta-feira (28/11), três policiais militares suspeitos de participar da chacina no Jardim Olímpico, em Aparecida Goiânia (GO), registrada em novembro de 2011. O crime resultou na morte de seis pessoas, sendo uma criança de apenas quatro anos. As vítimas foram executadas a tiros, principalmente na cabeça.


Os suspeitos, que estão presos em um presídio militar, são: o sargento Divino Romes Diniz, o cabo Ademá Figueiredo Aguiar Filho e o soldado Osiris Fernando de Melo.
Delegado Hellyton Carvalho, da Delegacia de Investigação de Homicídios (DIH)
de Goiânia (Foto: André Saddi)


Os policiais foram presos durante a Operação Isadora, deflagrada na madrugada desta quarta-feira (28/11), e que conta com o apoio de pelo menos 13 delegados. Um deles, o delegado Hellyton Carvalho, explica que a ação foi denominada Isadora por se tratar do nome da criança de quatro anos executada na chacina.


De acordo com ele, as investigações ainda não terminaram. “Estamos dando continuidade aos trabalhos. Não tem dia e hora para as investigações serem encerradas”, afirma. Também segundo o delegado, o cabo Figueiredo foi detido, ainda durante a madrugada, na casa da namorada, no Vera Cruz. “Os outros dois se apresentaram à Corregedoria da Polícia Militar no final da manhã”, diz.


“Foi decretada a prisão temporária dos três, que vão permanecer detidos por 30 dias. Dependendo do andamento das investigação, a prisão temporária poderá ser estendida por mais 30 dias”, acrescenta Hellyton Carvalho.

Carta anônima
Os nomes dos três suspeitos estão em uma carta anônima enviada, em julho deste ano, para o Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), Ordem dos Advogados do Brasil, seção Goiás, (OAB-GO), ao então secretário de Segurança Pública, João Furtado, e à imprensa. Na carta, vários policiais militares são apontados como autores de homicídios em Goiânia e Região Metropolitana.

O autor  do apócrifo citou detalhes do Chacina do Jardim Olímpico e também apontou o sargento Diniz, o cabo Figueiredo e o Soldado Osiris como sendo os responsáveis pelo crime. O nome de outros dois militares também estaria relacionado ao fato, segundo o documento.

Ainda de acordo com a carta, o cabo Figueiredo seria o autor do disparo que matou Isadora, a criança de quatro anos. “Ainda não foi esclarecida qual foi a participação de cada um no crime. Isso só poderemos afirmar após a conclusão das investigações”, explica o delegado Hellyton.

Outros homicídios também são relatados pelo autor, como o assassinato de Valério Luiz, filho do jornalista Mané de Oliveira. Segundo o autor, o cabo Figueiredo também seria o autor dos disparos que matou o cronista. De acordo com a Polícia Civil, essa denúncia será investigada.

Chacina do Jardim Olímpico
O crime que vitimou seis pessoas, inclusive uma menina de quatro anos, foi registrado no dia 19 de novembro de 2011. O crime aconteceu por volta das 22h15, em uma casa na Rua X-50.

As vítimas foram identificadas como Edivone Cândida de Bastos Alves, 47 anos, as filhas Stherfane Cândida de Bastos Reciol, 26 e Ludimila Cândida Alves, 31, com os companheiros, Luciano Lopes dos Santos, 34, Rounandes Teles, 23, e a pequena Isadora Monique Cândida Alves.

Único sobrevivente da chacina, um bebê de dez meses, filho de Ludimila, foi encontrado ileso em uma cama, ao lado do corpo da mãe.

Conforme foi divulgado pela Polícia Militar (PM) um dia após o crime, o marido de Edivone, que também morava na casa, havia saído da residência pouco antes do crime para visitar parentes, no mesmo quarteirão.

Segundo a carta anônima, que ganhou repercussão nacional, o crime teria sido motivado por acerto de contas. “A chacina aconteceu porque um parente das vítimas envolvido com o mundo do crime teria ameaçado de morte o Osiris e o Sargento Diniz (CME2) por desacordo de extorsão de traficantes”, diz o apócrifo. Conforme foi divulgado pela PC, todas as denúncias serão investigadas.

Resposta
Em nota, a Polícia Militar do Estado de Goiás afirmou que “não compactua com qualquer tipo de crime ou desvio de conduta e que está participando ativamente das investigações desencadeadas para esclarecimento do caso”.

A nota segue ainda dizendo que “os serviços de inteligência e a Corregedoria da PM irão desenvolver ações, em conjunto com a Polícia Civil, para que todas as denúncias recebidas sejam investigadas com a celeridade e transparência necessárias. Logo que as investigações produzam provas suficientes da materialidade e autoria dos delitos, a Policia Militar estará adotando as medidas pertinentes para aplicação da justiça”.

Adaptações Saulo Prado
Carlos A. Cabral
Fonte/ A Redação


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